Projeto desfralde “literário”
Marina Tanzi
Tempo: quatro bimestres
Público-alvo:
crianças de maternal
Introdução:
O desfralde é um processo
demorado, formado por várias fases que devem ser respeitadas, sem apressar a
criança. A pressão pelo desfralde rápido, obriga a criança a pular fases,
gerando ansiedade e estresse que podem resultar em traumas de infância. Por tanto, é importante não realizar
comparações entre colegas de escola, primos e irmãos, pois estas
confrontações podem transformar o desfralde em uma corrida, cujo prêmio
é a frustração.
Para um desfralde
tranquilo é preciso respeitar o tempo de cada criança, de acordo com a sua
maturidade atentando-se para os seguintes fatores:
Fatores psicológicos:
·
Apresenta incomodado com a fralda cheia.
·
Avisa
quando fez ou vai fazer “cocô” e “xixi”
na fralda.
·
Permanece
por mais tempo com a fralda seca.
·
Demonstra
curiosidade sobre o uso do banheiro.
Fatores físico-motores:
·
A
criança consegue andar, abaixar, levantar, girar, pular e correr com
desenvoltura.
As fases do desfralda
são: desfralde diurno, fase de escape, desfralde noturno, conseguir fazer o
cocô no vaso e usar o vaso em diferentes lugares e ocasiões.
O desfralde se inicia
tirando as fraldas da criança no período diurno, por isso, a importância do
papel da escola nesta fase, pois a criança passa a maior parte do seu dia na
instituição escolar, cabendo a família
dar continuidade ao processo no final de semana.
A fase de escape é o
momento mais delicado que requer muita paciência e persistência da família, pois as
várias trocas de roupas e higienizações acabam sendo cansativas e frustrantes,
mas fazem parte do processo e não devem ser encaradas com desanimo. Quanto mais
resiliência a família apresentar, mais fácil será para a criança superar esta
fase.
O desfralde noturno
demora mais para ocorrer, pois o organismo precisa se adaptar a segurar a urina
e a evacuação durante o período inteiro do sono. Recomenda-se iniciar o
desfralde noturno, quando a criança já estiver conseguindo ficar sem as fraldas
durante o dia todo, superando a fase do escape. Geralmente, depois de três
semanas acordando com a fralda seca é possível retirar a fralda da noite.
Algumas crianças demoram
para conseguir fazer o cocô no vaso, pedindo a colocação da fralda. Nesta fase,
a criança já possui o controle dos
esfíncteres, conseguindo segurar a vontade de evacuar até ter o seu pedido em
colocar as fraldas, atendido pelo adulto. O estigma social sobre a evacuação
pode deixar a criança com vergonha de pedir ou com nojo de fazer cocô no
banheiro, por isso, o adulto nunca deve enfatizar o cocô como algo repulsivo e feio.
Neste caso é preciso identificar quais são as dificuldades com o
uso do banheiro, para realizar as interferências corretas. Jamais se deve julgar a criança, pois ao se sentir culpada, a sua insegurança aumenta, podendo levá-la a regredir no processo de desfralde.
Por último, algumas
crianças não conseguem usar o banheiro fora de casa, nem mesmo na escola,
pedindo para colocar a fralda sempre que percebe que vai sair. Nesta fase, a criança
já atingiu a maturidade psicológica e
motora para desfraldar, mas problemas
emocionais (medo ou vergonha) estão dificultando o uso do banheiro, fora do
ambiente familiar. O medo ou a vergonha, vem da insegurança de estar
longe do suporte dos pais, ou de estar
em um ambiente estranho, sendo mais comum em crianças desfraldas em casa, durante a pandemia.
Em todas as fases do
desfralde é preciso ter paciência com a criança, ajudá-la desenvolver a sua
autoconfiança, oferecendo estímulos positivos com elogios, sempre que ela usar
o vaso, e não demonstrar desanimo quando ocorrer escapes, pelo contrário,
devemos é encorajá-la com frases motivacionais. Precisamos saber ouvir e perceber o que ela quer
expressar por meio da brincadeira e do jogo simbólico, para identificar as suas
dificuldades e medos, incentivá-la sempre, com histórias e cantigas, aprendendo
a usar a ludicidade como principal aliada neste processo.
Justificativa:
Este projeto visa iniciar um processo de
desfralde considerando a singularidade/subjetividade entre a criança e
a sala de aula, caracterizada como um ambiente estimulador e facilitador para o desfralde, contando com a presença de
educadores acolhedores, que em conjunto com as famílias, formarão uma base de
apoio, para que a criança possa avançar
com confiança, mais esta importante
etapa em seu desenvolvimento.
Objetivos gerais:
Iniciar o desfralde utilizando a ludicidade dos
livros infantis como metodologia.
Objetivos específicos:
·
Estimular
o desfralde por meio de brincadeiras musicais, cantigas, contação de histórias,
rodas de leitura com livros infantis, faz de conta, manuseio de livro-brinquedo,
entre outros.
·
Desenvolver
a autonomia da criança, de forma progressiva,
quanto ao uso do banheiro e hábitos
de higiene pessoal.
Conteúdos:
|
Conceituais: |
Identificar a necessidade de usar o banheiro. Diferenciar a vontade de urinar da vontade de evacuar. |
|
Procedimentais: |
Pedir para ir ao banheiro Utilizar o banheiro de forma correta. Realizar a sua higiene pessoal, após o uso do
banheiro. |
|
Atitudinais: |
Adquirir autoconfiança para deixar as fraldas e
aprender a usar o banheiro. Desenvolver autoestima, para que os episódios de
escape não afetem negativamente a
autoimagem da criança. |
Metodologia :
|
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS A SEREM
DESENVOLVIDAS DE ACORDO COM A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (BNCC) |
||
|
CAMPOS DE EXPERIÊNCIA |
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM |
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS |
|
O EU, O OUTRO E NÓS |
(EI02EO02) Demonstrar imagem positiva de si
e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios,
identificando cada vez mais suas possibilidades, de modo a agir para
ampliá-las. |
Desenvolver a autoestima e a
autoconfiança da criança, para enfrentar a fase dos escapes nas calças, sem
deixar que estes episódios abalem a sua autoimagem, por meio da leitura de
livros infantis com o tema, exemplo: “Apertado”. Ajudar a criança a perder a vergonha e
o nojo em fazer cocô no vaso, por meio de histórias que mostrem a importância
do cocô para o nosso organismo e para a natureza. Exemplo: “Por que fazemos cocô?” e “Cocô de
passarinho.” |
|
EI02EO04) Comunicar-se com os colegas e os
adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender, ampliando suas
possibilidades expressivas e comunicativas. |
Realizar rodas de conversa e leitura
para oferecer apoio emocional as crianças ajudando-as as superarem as
dificuldades e medos do período do desfralde, com o suporte de livros
infantis como: “Pedro não quer ir ao banheiro”. |
|
|
TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS |
Ampliar as
possibilidades de expressão e comunicação por meio da arte. |
Estimular as crianças a expressarem
seus sentimentos sobre o desfralde, por meio do desenho, da pintura e da
modelagem. |
|
(EI02TS03)
Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras
cantadas, canções, músicas e melodias, apreciando, descobrindo sons e
possibilidades sonoras, explorando e identificando elementos da música para
expressar, interagir com os outros e ampliar seu conhecimento de mundo. |
Estimular o desfralde por meio de músicas
infantis, por exemplo: “Sambinha da
fralda molhada”, “Samba do mexe-mexe”, ambas
do grupo Palavra Cantada. “Ai, que
vontade!”, do Mundo Bita. “A história do
cocô”, Cocoricó. |
|
|
CORPO, GESTO E MOVIMENTO |
(EI02CG02) Deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por
noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc.,
aperfeiçoando seus recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades
motoras, ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas.
(EI02CG03) Explorar formas de deslocamento no espaço (pular,
saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações. |
Desafiar as habilidades da criança, as
incentivando a explorar e testar as várias possibilidades de deslocamento no
espaço (pular, saltar, rolar, correr etc.), orientando-se por noções de
localização (embaixo, dentro, fora etc.), ao realizar brincadeiras e jogos,
com a finalidade de estimular a maturidade físico-motora da criança para o
desfralde por meio de: Circuitos
motores, desafiando a criança a se abaixar, subir, escalar, pular, correr e
rolar, explorando obstáculos variados, encontrados na própria escola:
colchonetes, cadeiras, mesas, túnel de tecido, bambolês etc. Brincadeiras
musicais e de roda: “Carneirinho, carneirão”,
“Batata-quente”, “Corre cotia”, “A canoa virou”, “O mestre mandou”. |
|
(EI02CG04) Demonstrar progressiva independência no cuidado do
seu corpo, encontrando soluções para resolver suas necessidades pessoais e
pedindo ajuda, quando necessário. |
Ajudar a criança a entender o uso do
banheiro e os cuidados com a higiene pessoal,
por meio de uma rotina lúdica, com ilustrações atrativas e de fácil
compreensão. |
|
|
ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO |
(EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus
desejos, necessidades, sentimentos, preferências, saberes, vivências, dúvidas
e opiniões, ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
expressão. |
Realizar rodas de conversa baseadas no interesse e na curiosidade das
crianças quanto ao desfralde, utilizando livros infantis como suporte para
responde as suas dúvidas, exemplo: Curiosidades sobre penico, com
livro: “Para que serve o Pinico?” Desvendando o mistério do vaso sanitário, com o livro: “Para onde o
cocô vai?” |
|
(EI02EF04)
Formular e responder perguntas sobre fatos da história narrada, identificando
cenários, personagens e principais acontecimentos, tais como “quem?”, “o
que?”, “quando?”, “como?”, “onde?”, “o que acontece depois?” e “por quê?” |
Promover rodas de conversa, levantando perguntas sobre as narrativas
das histórias dos livros: “Um presente incrível”, questionar a criança sobre qual é esse
presente? Para que ele serve? Como usá-lo? “Cadê o meu penico?” Perguntar
para as crianças. onde está o penico da Hortência? O que ela deve fazer
enquanto não encontra o penico? |
|
|
EI02EF07)
Manusear diferentes portadores textuais (livros, revista, gibi, jornal,
cartaz, CD, etc.), inclusive em suas brincadeiras, demonstrando reconhecer
seus usos sociais. |
Proporcionar as crianças a oportunidade de manusear livro-brinquedos
com o tema desfralde. |
|
|
ESPAÇO, TEMPO, QUANTIDADES, RELAÇÕES E
TRANSFORMAÇÕES |
(EI02ET04)
Identificar e explorar relações espaciais (dentro e fora, em cima, embaixo,
acima, abaixo, entre e do lado), ampliando seu vocabulário. |
Estimular o desfralde e identificar
noções espaciais (dentro e fora) por meio do livro: “O que tem dentro da sua
fralda?” |
|
(EI02ET05) Classificar objetos, considerando determinado
atributo (tamanho, peso, cor, forma), expressando-se por meio de vocabulário
adequado. |
Brincar de detetive com as
crianças, tentando identificar pela
cor e formato, quem fez cocô na cabeça da pequena toupeira na história do
livro: “Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça
dela” “Cocô, no trono”, pedir para a criança descrever como é cocô de cada
personagem da história. |
Materiais e recursos:
|
·
Folhas de sulfite A3 ·
Gizão de cera ·
Massinha de modelar ·
Gizão de lousa ·
Cartolina ·
Collor set |
Papel kraft Fraldas descartáveis Rádio Guache Pinceis |
Lista de livros:
|
Título |
Autor |
Editora |
|
Cocô no trono |
Benoit Charlat |
Companhia das letrinhas |
|
Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça
dela. |
Werner Holzwarth |
Companhia das letrinhas |
|
O que tem dentro da sua fralda? |
Guido van Genechten |
Brinque-Book |
|
Cadê o meu penico? |
Mij Kelly |
Companhia das letrinhas |
|
Um presente incrível |
Guido van Genechten |
Brinque-Book |
|
Para onde vai o cocô? |
Katie Daynes |
Usboner |
|
Para que serve o peniquinho? |
Katie Daynes |
Usboner |
|
Pedro não quer ir ao banheiro. |
Ariadny Bbbud |
Sinopsys |
|
Cocô de passarinho |
Eva Furnari |
Moderna |
|
Por que fazemos cocô? |
Usborne Publishing |
Usboner |
|
Apertado |
Guido van Genechten |
Brinque-Book |
Avaliação: ocorrerá por
meio da observação desde o início do desfralde, acompanhado todas as fases, realizando as interferências
necessárias, para o progresso da criança até a finalização do processo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário